Um Jogo de Xadrez. (texto originalmente publicado em 2013)

Sempre com um sorriso na cara!

Dardos de luz, sempre lançados quando ela chega. Cortes seguros e profundos na escuridão, afastam a negritude e fertilizam o terreno para que a alegria prospere. Os deuses sorriem, mostram clemência. A alma cresce, cresce muito, ficando do tamanho da carne, e o homem torna-se puro.

De saltos altos!

Um pouco mais alta, um pouco mais próxima do paraíso. Forte, decidida. Muita vontade de ser feliz. Muita vontade de ser consumida por um fogo, um fogo intenso, único, que possa construir em vez de destruir. Menina-moça-mulher, mais vezes menina. Quando quer, mulher, mulher que arde, mulher que provoca, mulher que desperta sentimentos, mulher que vive, mulher igual. Igual. Igual a mim, igual a ti, igual a eles ou elas, igual a eles e elas. Menina-moça-mulher, bonita, sensual, aqui mais mulher, ali mais moça.

Vestida para matar…

Vontade própria, como o vento. Arrebatadora, aliciante. Um perigo, alarmante. Fases como a lua, mas nunca a Nova, pois não se esconde. Marés, rainha do mar. Princesa dos ares, duquesa da terra, senhora de tudo o que resta, incluindo corações. Condessa descalça? Também.

Azul-turquesa!

Dedicada, interessada, determinada, positiva. Caminho a ser construído, comboio com destino sem nome, destino a ser descoberto ao longo do percurso. Nas estações, gente que nunca mais se esquece, gente que sente falta, gente que ficou, gente que quer ficar, gente que ainda está por chegar. Gente que ela marcou, gente que ela está a marcar, e o futuro. Lugares onde foi feliz, lugares onde quer ser feliz. Lugares e gentes. A chave para desvendar o destino e o futuro. (Coloco as mãos sobre a cortina, espreito o que aí vem.)

Especial

Sincera, honesta, santa das causas impossíveis. Casamenteira, pasteleira. Alguém que nos marca como uma cicatriz, identificável passem os anos que passem. Alguém que merece tudo, alguém que merece o mundo. Alguém que merece alguém.

Para ti,

porque uma boa amizade é como um jogo de xadrez: é preciso muita paciência; é preciso ter atenção ao que o outro pensa ou faz; e, se os dois forem bons jogadores, pode durar por muito, muito tempo…

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O Olho do Furacão. (texto publicado originalmente em 2013)

A calmaria impressionava. Preso dentro do furacão, eu vivia o sonho de todos os caçadores de tempestades. A possibilidade real de haver destruição e tragédia a curta distância parecia inverosímil.

O Olho do Furacão. O último reduto da paz, do paraíso. Terreno inviolável, onde só chegamos nos sonhos, os mais puros, sonhos de criança, sonhos com futuro, sonhos de futuro, sonhos sonhados, sonhos vividos.

Há gente que me faz lembrar o olho do furacão. Passam e sente-se o que poderia ser. Sente-se quais as possibilidades infinitas, se penetrarmos na couraça de ar em movimento acelerado. Ar. A mais inofensiva das barreiras. Não se vê. Não se teme. Não é irónico que seja o escolhido para servir de vedação para o paraíso? Tudo ali tão perto…

No furacão das pessoas, a barreira é mais perniciosa. A velocidade do vento é menor, só se sentem uma rajadas de quando em vez. Tempestades? Imprevisíveis. Talvez por isso os caçadores de furacões meteorológicos tenham mais notoriedade do que os caçadores de furacões humanos. Quando nada se vê, como nos podemos defender? Quando nada se sabe, como saber se devemos arriscar e procurar o olho do furacão? Sempre nos sonhos, claro. Os furacões são todos iguais, e fazem birra. Só aceitam ser penetrados nos sonhos. Uma vez conheci alguém que o fez de verdade. Penetrou um furacão humano e viveu para contar a história. Estava tão feliz, que desapareceu. Foi consumido pela inveja dos que o rodeavam. Ele chegou a dizer-me que, outrora, ninguém tinha medo de penetrar os furacões humanos. Até que um dia apareceu um cobarde. E o medo alastrou-se que nem uma pandemia mortal.

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I Still Remember When I Was Not Alive. (texto publicado originalmente em 2013)

Parece que foi ontem.

Sequência inicial de “8 1/2”, de Fellini. Pairo no ar e contemplo a vida em baixo: respiram, vibram, sofrem, choram, amam. Não tenho a sorte de Guido, não há ninguém que puxe uma corda e me faça reentrar.

Desloco-me à velocidade do pensamento, à velocidade do esquecimento a que sou votado. Alvíssaras, alvíssaras! Um metro por cada um que dele se esqueça! Em baixo, os vermes continuam a falar comigo sem perceber que já não estou, sem perceber que não existo. Eis a forma mais cruel de invisibilidade, que mói e destrói, quando nem se apercebem da nossa ausência. E continua a doer, maldição. Nem isso consegui, deixar de sentir.

Em baixo, o que resta deambula. Não percebe o que lhe dizem. O movimento desordenado dos lábios de outrem confunde-o, ele clama pela simplicidade. Andar até ao fim da rua é um desafio, tudo é estranho quando somos desprovidos de alma.

Enquanto isto, eu pairo. É noite escura, os vermes dedicam-se à troca de fluidos, numa sessão de canibalismo onde as almas se tocam, o mundo se encolhe, e temos um raro vislumbre do lado lunar. Ninguém se lembra de me esquecer nessa altura, por isso pairo.

O que resta busca abrigo na reclusão. Tanto temos em comum. Se Saramago tinha razão nisso das almas e das vontades, o que sou eu? Estará ele sem alma ou sem vontade?

A reclusão permite que ele esteja entre iguais. Ele e o nada.

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Gently Weeping. (texto originalmente publicado em 2013)

Rápido. Mais rápido. Tento acelerar, respiração ofegante, coração aos pulos. Sinto o bafo da sombra. Atrás de mim o precipício crescia, ouviam-se gritos. o desespero de mais um momento apagado. Tapo os ouvidos, baixo a cabeça e continuo. Não posso parar, não enquanto a sombra estiver no meu encalço.

Afasto-me. Não reconheço o local. O meu olhar é atraído para um casal que troca carícias junto de um fio de água. Inebriados, tratam o corpo um do outro com divino respeito. O universo está parado. Para os amantes, o centro do mundo é aqui. Não me vêem, como poderiam fazê-lo? Nem eu me vejo. Ninguém me vê.

Enquanto corro passo por muitos aceitantes. São aqueles que não receiam a sombra e o que ela traz. Como os invejo! Parecem felizes, a sombra não impede que continuem a viver. Abrem os braços e aceitam-na, unem-se-lhe em uníssono:

I look at the world and I notice it’s turning


O cansaço é matreiro. Nunca bate à porta. Entra pelas frinchas como se do Sol se tratasse. É o braço-direito da sombra – o esquerdo é o destino. Resisto-lhe, pois viver com aquilo que a sombra traz é inimaginável. Insuportável. Sinto as garras a penetrarem na pele. Esgar de dor. Sou impotente. Quem dera que tudo termine, que o vazio reine, que o silêncio impere pela eternidade.

Suplico-lhe que me deixe, que abra uma exceção. Viver perturbado é desumano, e eu já aprendi:

With every mistake we must surely be learning

A sombra responde com voz de barítono: não podes fugir do passado.

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Gostos não se discutem. (texto originalmente publicado em 2013)

Tunnel vision. Termo inglês para descrever a perda de visão periférica, com preservação da visão central.

Não, não vou escrever sobre nenhuma patologia. Se bem que…

Quando se gosta de alguém, mas gostar a sério, nada de ficanços e curtes, a pobre vítima sofre sintomas que podem ser comparados à visão de túnel, num sentido bem amplo. Raciocínio emperrado, cara de estúpido, perda de controlo da função visual, com os olhos a reivindicarem autonomia, procurando de forma incessante o objeto de afeto. Ritmo cardíaco acelerado, falta de ar, sensação de ter um buraco de meio metro no tronco.

Não que eu reclame para mim o título de especialista, seria deveras cómico que alguém tão inseguro tal fizesse. Porém, milhares de filmes vistos têm de servir para alguma coisa, sem esquecer recentes experiências.

Serão as culturas que deixam o amor romântico para segundo plano mais evoluídas? A escolha criteriosa de um parceiro, com base na possibilidade de garantir um futuro estável à futura família, tem mais que ver com o uso da razão, que a espécie humana tanto acena como símbolo máximo de superioridade terrena; a escolha baseada em ritmos cardíacos acelerados, falta de ar, visão de túnel, não poderia ser mais irracional e absurda. Porque é que evolução nos conduziu neste sentido? Porquê evoluir para sentir, para amar, quando o futuro da espécie poderia ser facilmente definido pela razão, pela escolha sensata?

Pego no meu exemplar d’O Gene Egoísta. A conclusão parece óbvia: as unidades reprodutoras que fizessem batota e utilizassem subterfúgios que criassem a necessidade estar com outra unidade seriam mais bem sucedidas do que as que nada sentissem, e só fossem compelidas para a carne por mandato. Carneavam mais vezes, maior prole, maior sucesso. Daí que mesmo nas culturas mais evoluídas, digo eu, haja sempre transgressores. Crianças terríveis!

Desejava estar imune. Quando somos possuídos por esta vontade parva, ficamos vulneráveis. Quando não parece haver hipóteses de vencer, depressivos. Venderia a alma ao Diabo pela imunidade, acreditasse eu nele. Mentes a ti próprio, e bem sabes. Venderias a alma pela realização do desejo. Venderias a alma para que o sentimento de vazio dentro de ti desaparecesse, admite! Cobarde, não percebes que desejar a morte do desejo é pior que desejar a própria morte. É o amor que nos torna humanos, não a razão. (Em itálico estão as palavras do meu alter ego, um ser muito mais corajoso do que eu, sem dúvida disposto a aventuras, não fosse ele prisioneiro no mais secreto abrigo da minha mente).

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Na Crista da Onda. (texto originalmente publicado em 2013)

Ontem foi uma boa noite, ou noite boa, melhor escrevendo. Não se pode pedir muito mais do que boa companhia aos pés do mar, cujos murmúrios eram a banda sonora doce, lenta, suave, formando e embalando os sonhos por madrasta sorte condenados ao naufrágio num mundo sem contemplações.

Cerro os olhos. Vejo com mais clareza. O negrume é interrompido. Luz sim. Luz não. Luz sim. Malmequer, bem-me-quer. A tormenta só se faz sentir no interior. Penso no vazio, não no longo debate sobre o significado do nada, passatempo de filósofos, pois tal não sou, mas na ausência de alguém que desconheço. Acendo a candeia, avanço pela chuva aos tropeções. Bombordo, estibordo. Oscilante. Não adianta, não chego ao vazio. Ainda não é a altura certa.

Sociais. Seres sociais, é como nos definem. Não deixo de ficar maravilhado com o efeito que o toque tem nas pessoas, e tão fácil é perceber se a pessoa está habituada ao toque. A criança privada de carinho e de braços aconchegantes ilumina um anfiteatro quando finalmente recebe afeto, os olhos brilham, produzem luz própria que é derramada pelos corredores. Os adultos avessos ao toque, indefesos, diminuem de tamanho quando confrontados, o frágil ser que dentro habita chora de alegria, as respostas comuns deixam de fazer sentido. A fachada imobiliza-se, chegam sinais contraditórios. Quieto. Afasta-te. Corresponde. Reage. Sorri. O forte foi derrubado. O Rei morreu. Viva o Rei!

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The Absent Life. (texto originalmente publicado em 2013)

Foi há quase 3 anos o último post (peço desculpa aos puristas, mas não há nenhuma tradução de “post” que me agrade).

Promessa por cumprir, a do ReBirth.

Hoje dei-me ao trabalho de ler os devaneios de 2009 e 2010, tendo vindo à memória sentimentos que repousavam nas profundezas da mente. Devido à aura de negatividade que fabriquei em torno da minha persona nos últimos anos, é estranho ler o que sentia o ego daquela altura. É estranho ler o que sentia durante a travessia do deserto (terminada?), a ironia crua, o tom lúgubre, as referências ao divino, a escrita negra.

Isso faz-me pensar no significado de Identidade. Pode-se dizer, sem margem para dúvidas, que a mesma pessoa escreveu em 2009 e está neste momento a fazer renascer o blog das cinzas?

Hipótese pragmática: sim, a não ser que tenha sido pouco cuidadoso na escolha da palavra-passe. Os hackers estão à espreita.

Hipótese fantástica: as alterações sofridas pela psique de um ser ao longo do tempo são suficientes para que possamos falar na existência de pessoas diferentes, identidades distintas, dois indivíduos, de facto, amaldiçoados na partilha forçada do mesmo vaso corpóreo ao longo de um tempo t, ilusão das ilusões, truque houdinesco, há milénios impedindo que os seres sejam livres (liberdaaaaaaaaaaaaaaaaade!), presos que estão na teia da carne* antes propriedade de outrem.

O que mudou nestes três anos? Inúmeras crises? Erros seguidos de erros? Caminho para a maturidade? Sonhos em decomposição? Prioridades trocadas?

A maior alteração terá sido o meio utilizado como escape. O cinema preenche o que antes partilhava com a leitura. Ebert tornou-se um ídolo tal qual Garcia Marquez. O mundo continua a girar, se bem que mais devagar. A Humanidade continua a ser um mistério. O sentimento de ausência continua forte. A impossibilidade de consciência na ausência faz doer. O tornado Confusão acalmou, poupando vidas, destruindo corações.

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Outonando. (texto originalmente publicado em 2009)

Equinócio. Igualdade. Metades. Sol. Árvores de folha caduca. Eis o Outono.

A época dos suicídios aproxima-se. Os céus tornar-se-ão nublados, convidando fatalmente as almas atormentadas a abeirarem-se de precipícios ou de frascos de medicamentos. Almas que anseiam pela libertação do jugo corpóreo, pela ascenção divina.
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Humor. Pequeno Conto. 2.ª parte (texto publicado originalmente em 2009)

Líquido? Psicológico? Patológico? Latino? Anglo-saxónico?

Eis como cinco letras organizadas segundos ocultos desígnios carregam tão variados significados, desde os maus humores que, presumia-se, provocariam a peste, ao mau humor que hoje trago, não na forma líquida.
Dizem os sábios que uma boa gargalhada cura tudo. A propósito disso, deixo ficar uma frase de Bill Cosby: “Through humor, you can soften some of the worst blows that life delivers. And once you find laughter, no matter how painful your situation might be, you can survive it.”. Sendo assim, porque não mandar batalhões de palhaços para palcos de guerra, fome, SIDA, miséria…? Sem dúvida um sorriso curará a ferida causada por uma bala perdida.
O meu riso preferido é o choro. Imbecil, o choro não é um tipo de riso. Como ia dizendo, o choro é o meu riso preferido. E insistes… Gosto de analisar esses assuntos do ponto de vista afectivo. Nem do ponto de vista lateral o choro é um riso. E, de facto, não há nada mais bonito do que ver alguém a chorar de alegria, seja um atleta olímpico que contornou barreiras intransponíveis para vencer uma medalha, seja um casal que, maravilhado pela oportunidade divina de gozar a companhia um do outro, chora na primeira vez que faz amor.
Quando imagino o Diabo, Belzebu, Satanás, Lucífer ele está sempre a rir-se. Associarei eu o riso à maldade intrínseca? E quando as pessoas (sor)riem genuinamente por motivos felizes? Falsas? Será que Deus sorri? Imagino-o sempre triste, sereno. Simpatizo mais facilmente com pessoas assim, com uma pequena aura de tristeza, sei lá, têm algo de puro nos olhos, nos gestos, na inocência. O riso é feio, faz-me ficar desconfiado. E explicar o porquê do choro ser um riso, não? Se calhar não é mesmo… o choro é genuíno.
Sentada ao piano, vem-lhe à cabeça o virtuoso polaco. Concerto para piano número dois em F menor. Os dedos deslizam, dotados de vontade própria, determinados a amainar a tempestade pelo poder da música. Eis que se instala o silêncio lá fora. Aqueles juntaram-se à tempestade e escutam, tentando simultanamente saborear. O mais velho d’aqueles, experiente, nota um travo a baunilha, talvez com um toque de frutos silvestres colhidos na véspera. Não se contêm com o prazer e explodem. Ela ouve tudo, enojada. Homens.
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O Idealista. Pequeno Conto. 1.ª parte (texto publicado originalmente em 2009)

Ter ideais a partir de certa idade é visto como sinal de imaturidade, de ausência total de contacto carnal com a crua realidade. Afinal, o que interessa é ter dinheiro, muito dinheiro, guardando quaisquer comiserações para aqueles minutos dos telejornais onde são exibidas imagens daqueles “pretinhos” pobrezinhos do longínquo país chamado África. Ter ideais é idiota e próprio da irreverência juvenil. Pff, coitados, acreditam num mundo melhor, no fim da fome, na justiça social, na paz e no amor… pff, quando crescerem é que é!
Começo a pensar que o comum mortal receia o idealista. Não consegue lidar com a dura realidade de que há quem acredite. Temem o revolucionário, o pequeno Che, o comunista papão. No fundo, amargas pessoas são por já não serem capazes, por já terem perdido a capacidade de vislumbrar encanto e beleza, algo só conseguido pelos mortais com olhos de acreditar.
Copo meio cheio. Copo meio vazio.
Trovejava. O relógio de cuco da sala de estar marcava 11:53 naquela insólita noite de verão, algures no Pacífico Sul. A tempestade não se encontrava sozinha lá fora. Eles, aqueles, faziam-lhe companhia na escuridão profunda rasgada pelos brancos fios de cabelo de Deus. A questão que ela se colocava era se pretendiam entrar. Todos sabem que nenhuma porta os detém, aqueles são muito poderosos, tão poderosos que as portas são concebidas para cederem ao mínimo bafo, com vista a não os enfurecer. A manhã tinha sido soalheira, ela tinha andado pela praia, pensando na tórrida noite anterior, porventura tão tórrida dentro como fora de casa. Estava cansada, as pernas bambas: tinha dormido pouco, ele queria sempre mais. Na sala de estar, com a mente dividida entre o enriquecedor passeio e o pressentimento quase visível de aqueles excitados e ansiosos por entrar, ela resolveu sentar-se ao piano.
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